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Boto-de-Lahille ganha destaque no Comitê Científico da Comissão Baleeira Internacional
Entre os dias 27 de abril e 8 de maio de 2026, a cidade de Bled, na Eslovênia, sediou a 70ª reunião do Comitê Científico da Comissão Baleeira Internacional (IWC).
O encontro reuniu cerca de 230 especialistas de mais de 30 países para discutir os avanços mais recentes da ciência voltada à conservação dos cetáceos, abrangendo temas como avaliação de populações, captura incidental em pescarias, colisões com embarcações, poluição marinha, mudanças climáticas, saúde e estratégias de manejo.
No contexto das discussões sobre os Planos de Conservação e Manejo (Conservation Management Plans – CMPs), foi apresentado o relatório técnico elaborado a partir do Workshop sobre CMPs da América Latina, realizado em Santos (SP), em 2025. O documento sintetiza os principais avanços, desafios e recomendações para fortalecer a implementação dos diferentes CMPs da região.
O CMP do boto-de-Lahille é um instrumento oficial da IWC atualmente coordenado pelo Brasil. O Projeto Gephyreus, por sua vez, é uma iniciativa científica não governamental que, desde 2018, articula uma rede trinacional de pesquisa e conservação no Brasil, Uruguai e Argentina. Os conhecimentos produzidos por essa rede foram fundamentais para subsidiar a elaboração do CMP e continuam apoiando sua implementação.
“O Projeto Gephyreus nasceu para integrar pesquisadores, gerar conhecimento científico de longo prazo e transformar esse conhecimento em ações concretas de conservação. Ver esse trabalho subsidiando as discussões do Comitê Científico da IWC demonstra que a cooperação científica pode produzir impactos reais na conservação das espécies, especialmente espécies ameaçadas”, destaca Pedro Fruet, coordenador científico do CMP do boto-de-Lahille.
Em Bled, a apresentação do relatório resultou em recomendações específicas para os CMPs latino-americanos, com foco no aprimoramento do monitoramento populacional e na mitigação de ameaças como a captura acidental em redes de pesca.
A repercussão do relatório em um dos principais fóruns internacionais de pesquisa e conservação de cetáceos evidencia como uma iniciativa científica colaborativa pode orientar decisões nesse âmbito. O resultado fortalece a implementação do CMP do boto-de-Lahille e amplia o envolvimento de governos e organizações na conservação deste golfinho ameaçado de extinção.
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